
O comércio varejista baiano acompanhou o cenário nacional, que registrou variação de 0,1%, ao apresentar estabilidade nas vendas, com variação de -0,2% em agosto de 2026, frente ao mês imediatamente anterior. Na comparação com igual mês de 2025, o varejo baiano cresceu 1,2%. Com essa taxa, o estado manteve trajetória de crescimento no volume de vendas pelo 17º mês consecutivo e ficou acima da taxa registrada para o Brasil (0,4%). No acumulado do ano, a Bahia e o Brasil registraram crescimento de 3,3% e 1,7%, respectivamente. Os dados são da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), analisados pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI).
A estabilidade na comparação com o mês anterior (julho) ocorre em um cenário de desaceleração do consumo das famílias. Segundo o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), da FGV IBRE, em agosto, a confiança do consumidor recuou 3,6 pontos, reflexo das limitações financeiras dos consumidores, somadas a um contexto de taxas de juros elevadas.
Na comparação anual, a expansão das vendas no setor aponta para os efeitos da menor pressão dos preços. De acordo com os dados do IBGE, em agosto, houve deflação de 0,59% na Região Metropolitana de Salvador (RMS), influenciada pelo comportamento dos preços nos grupos Habitação (-2,19%), Transportes (-1,75%), Alimentação e bebidas (-0,44%), Comunicação (-0,14%) e Artigos de residência (-0,10%).
Nesse contexto, os segmentos que mais contribuíram positivamente para as vendas na Bahia no período foram Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos; Outros artigos de uso pessoal e doméstico; e Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo. Assim, o cenário econômico de agosto combinou fatores favoráveis à sustentação do consumo com restrições relacionadas ao crédito, ao endividamento das famílias e à confiança dos agentes econômicos.
Análise do desempenho do varejo por ramo de atividade
Por atividade, os dados do comércio varejista baiano em agosto, na comparação com o mesmo mês de 2025, revelaram que três dos oito segmentos que compõem o indicador do volume de vendas registraram resultados positivos. A expansão foi observada nos segmentos de Outros artigos de uso pessoal e doméstico (15,1%); Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (8,5%); e Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (0,7%).
Por outro lado, Combustíveis e lubrificantes (-0,4%); Tecidos, vestuário e calçados (-2,1%); Livros, jornais, revistas e papelaria (-7,5%); Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (-8,7%); e Móveis e eletrodomésticos (-9,0%) registraram taxas negativas.
No que diz respeito aos subgrupos, as vendas de Móveis permaneceram praticamente estáveis (0,2%), enquanto Eletrodomésticos e Hipermercados e supermercados recuaram 14,5% e 0,6%, respectivamente.
A análise das atividades que se destacaram positivamente na comparação com agosto de 2025 — Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos; Outros artigos de uso pessoal e doméstico; e Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo — aponta a redução dos preços dos produtos comercializados por esses segmentos como um dos fatores que contribuíram para o desempenho das vendas.
Entre as contribuições negativas, destaca-se o comportamento de Móveis e eletrodomésticos, que voltou a registrar resultado negativo. Esse desempenho reflete o custo elevado do crédito e a cautela das famílias em relação à aquisição de bens de maior valor agregado, diante do comprometimento da renda.
No comércio varejista ampliado, que inclui o varejo restrito e as atividades de Veículos, motocicletas, partes e peças; Materiais de construção; e Atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo, as vendas recuaram 1,6% em relação ao mês imediatamente anterior. Na comparação com igual mês de 2025, houve crescimento de 1,0%, resultado que levou à expansão de 4,7% no acumulado do ano.
Nessa análise, ainda na comparação anual, foi observado resultado positivo para a atividade de Atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo (7,5%). Por outro lado, Veículos, motocicletas, partes e peças e Materiais de construção apresentaram retrações de 3,9% e 1,2%, respectivamente. O desempenho do primeiro segmento é justificado pelo impacto do crédito e dos juros sobre a demanda por esses bens, além da influência das condições de inadimplência das famílias.
Fonte: Ascom/SEI
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