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Entre os favoritos à ABL, Taurino Araújo quer ‘trabalhar pelas Letras do Brasil’

Jornalista Walter Brito aponta poeta, pensador, jurista, crítico literário e artista plástico baiano entre os três favoritos à Cadeira 32, vaga com a morte de Zuenir Ventura

07/11/2026 às 07h13 Atualizada em 07/11/2026 às 19h09
Por: Galego Noticias
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“Eu tenho régua em casa”.“ALÉM DE SER GENIAL,  EU NÃO SENTO NO PUDIM“.Taurino Araújo, candidato da Bahia à Academia Brasileira de Letras Cadeira 32.
“Eu tenho régua em casa”.“ALÉM DE SER GENIAL,  EU NÃO SENTO NO PUDIM“.Taurino Araújo, candidato da Bahia à Academia Brasileira de Letras Cadeira 32.

“Eu tenho régua em casa”.“ALÉM DE SER GENIAL,  EU NÃO SENTO NO PUDIM".

Jornalista Walter Brito aponta escritor, jurista e artista plástico baiano entre os três favoritos à Cadeira 32, vaga com a morte de Zuenir Ventura

Apontado pelo jornalista Walter Brito como um dos três favoritos à Cadeira 32 da Academia Brasileira de Letras (ABL), o escritor, jurista e artista plástico baiano Taurino Araújo apresenta a candidatura como compromisso com a criação e a vida cultural do país. Em entrevista ao portal Notícia Livre, sintetiza o propósito: “Quero a Cadeira 32 para trabalhar pelas Letras do Brasil”.

Na avaliação de Brito, baseada em acompanhamento presencial da disputa, Taurino, a artista Anna Bella Geiger e o médico e escritor Drauzio Varella aparecem como os nomes favoritos entre os 17 inscritos. A eleição acontece em 12 de novembro, para a vaga aberta com a morte do jornalista e escritor Zuenir Ventura, em 22 de setembro, conforme comunicado oficial da ABL.


Cadeira 32 da ABL: Taurino Araújo entre os favoritos Anna Bella Geiger e Dráuzio Varella

Disputa aberta

O favoritismo identificado por Brito convive com a imprevisibilidade das eleições acadêmicas. No texto publicado no São Paulo nas Entrelinhas, o jornalista recorda a vitória de Bernardo Élis sobre o ex-presidente Juscelino Kubitschek, em 1975, para assinalar que todos os candidatos permanecem no páreo. A comparação situa a atual sucessão como disputa aberta, sujeita às mudanças de preferência dos eleitores da instituição.

Na entrevista publicada pelo Notícia Livre nesta quarta-feira, 4 de novembro, Taurino demonstra confiança na adequação do próprio nome à cadeira e afirma conduzir a campanha mais organizada da história da Academia. A declaração expressa a avaliação do candidato sobre uma mobilização que reúne apresentação da obra, circulação de estudos críticos e diálogo com a tradição da instituição. “Sou um executivo das artes”, define.

Taurino Araújo

Trajetória plural

Nascido em Jequié e criado também em Ubatã, Taurino reúne atuação em poesia, Direito, ensaio, crítica literária e artes plásticas. Na entrevista, relaciona essa diversidade à admiração, desde a infância, por personalidades como Ruy Barbosa e Afrânio Peixoto. A formação cultural também passa pelo Grupo de Arte Canoatan, em Ubatã, mencionado no estudo do professor Willis Santiago Guerra Filho.

Essa pluralidade encontra correspondência na história da cadeira pretendida. O patrono, Manuel de Araújo Porto-Alegre, desenvolveu atividades em literatura, pintura, magistério, jornalismo, diplomacia e teatro. Antes de Zuenir Ventura, a Cadeira 32 foi ocupada pelo dramaturgo, poeta e romancista Ariano Suassuna.

No texto de Brito, a aproximação entre essas trajetórias ajuda a explicar a projeção da candidatura. O jornalista destaca a construção de uma recepção crítica que acompanha o processo eleitoral e apresenta diferentes dimensões da produção de Taurino. Nesse contexto, o estudo de Guerra Filho acrescenta fundamentação literária à discussão sobre a obra do candidato.

Taurino Araújo na criação de AGREGAÇÃO (2017) em homenagem ao legado de Santa Dulce dos Pobres - Foto: Divulgação A obra AGREGAÇÃO, integrante da série Assemblage no Parque da Cidade (2017), interpreta o legado de Santa Dulce ao transformar folhas, cascas, sementes e galhos em uma metáfora visual do acolhimento e da dignidade humana.
Taurino Araújo na criação de AGREGAÇÃO (2017) em homenagem ao legado de Santa Dulce dos Pobres – Foto: Divulgação

De Afrânio Peixoto à formação de uma personalidade literária 

A menção de Taurino Araújo a Afrânio Peixoto, em entrevista ao Notícia Livre, encontra eco nas homenagens que a Academia Brasileira de Letras e a Academia de Letras da Bahia dedicam ao escritor, médico, professor, historiador e crítico literário baiano. Em 29 de outubro, o presidente da academia baiana, Aleilton Fonseca, apresentou na ABL a conferência Afrânio Peixoto: releitura de um ficcionista precursor, sob a coordenação do imortal Arno Wehling.

Nesta quarta-feira, 4 de novembro, o intercâmbio entre as instituições tem continuidade em Salvador. Arno Wehling participa da programação pelos 150 anos de nascimento de Afrânio Peixoto com a conferência Nacionalismo e regionalismo: a brasilidade de Afrânio Peixoto, mediada por Aleilton Fonseca. A convergência chama a atenção: o intelectual de múltiplos saberes celebrado pelas duas academias é apontado por Taurino, ao lado de Ruy Barbosa, como referência escolhida ainda na infância para orientar a própria formação.

Formação plural

Essa identificação ajuda a compreender a diversidade da trajetória de Taurino como resultado de um projeto intelectual cultivado desde cedo. Poesia, Direito, pensamento, crítica literária, artes visuais e vida pública constituem expressões de uma mesma personalidade criadora. O percurso dialoga com a tradição de escritores brasileiros cuja atuação atravessa diferentes campos do conhecimento.

Outro momento da entrevista aprofunda essa perspectiva. Ao mencionar Cyro de Mattos, Taurino afirma que a literatura transforma as pessoas e que elas passam a se parecer cada vez mais com aquilo que escrevem. A ideia se aproxima da reflexão de Cyro: “A literatura não muda o mundo, transforma as pessoas”. Taurino estende esse entendimento à formação do escritor: além de expressar a personalidade de quem escreve, a criação participa continuamente da construção dessa personalidade.

Entre a Academia Brasileira de Letras e a Academia de Letras da Bahia

A candidatura de Taurino Araújo ganha especial significado no diálogo entre a Academia Brasileira de Letras e a Academia de Letras da Bahia, instituições que recentemente celebraram a trajetória de Afrânio Peixoto. Em conferência na ABL, o presidente da academia baiana, Aleilton Fonseca, examinou a contribuição literária do escritor, médico e intelectual, sob a coordenação do acadêmico Arno Wehling. A programação comemorativa dos 150 anos de Afrânio também mobilizou as duas instituições.

A coincidência é expressiva: Afrânio Peixoto, ao lado de Ruy Barbosa, figura entre os modelos intelectuais que Taurino Araújo afirma ter escolhido desde a infância. Sua candidatura recoloca em discussão a tradição brasileira dos polímatas, cuja atuação atravessa literatura, pensamento, Direito, educação e vida pública.

Celso Cunha Neto: a régua, o monumento, a imagética e a arte de conversar de Taurino Araújo

A entrevista concedida por Taurino Araújo ao portal Notícia Livre, sob o título “Eu tenho régua em casa”, oferece uma dimensão particularmente reveladora da personalidade intelectual e literária do candidato baiano à Cadeira 32 da Academia Brasileira de Letras. Mais do que responder a perguntas sobre sua trajetória, o poeta transforma a própria conversação em exercício de inteligência, criação verbal, humor e afirmação cultural.

Para Celso Cunha Neto, da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA), as declarações de Taurino Araújo permitem reconhecer uma personalidade cuja expressão pública não se separa inteiramente dos procedimentos criativos de sua obra, inclusive a estética peculiar das imagens.

Nesse sentido, a frase “Eu tenho régua em casa”, escolhida como título da entrevista, comporta pelo menos cinco dimensões interpretativas: linguística, psicológica, retórica, institucional e literária.

Na dimensão linguística, a régua deixa de ser um instrumento doméstico e transforma-se em metáfora do discernimento.

Na psicológica, expressa a autonomia de quem conhece sua trajetória e possui critérios próprios para avaliá-la.

Na retórica, inverte a posição convencional do candidato, que deixa de ser exclusivamente objeto do julgamento alheio para reivindicar também autoridade sobre os parâmetros da avaliação.

Na institucional, estabelece um diálogo entre o reconhecimento acadêmico e a consciência individual do mérito.

 Finalmente, na dimensão literária, produz um paradoxo particularmente expressivo: o poeta das tiradas aparentemente desmedidas declara possuir justamente o instrumento da medidae da contenção, num continuum em que o monumento, tradicionalmente associado à permanência, à consagração e à imobilidade, ganha voz, movimento e irreverência.

 

O monumento que fala e “não sentano pudim”

A mesma inventividade verbal reaparece quando Taurino Araújo recorda a avaliação de Nelson Cerqueira sobre A caturna, apresenta-se como um monumento vivo da Língua Portuguesa e, imediatamente, rompe a solenidade com uma tirada de sabor popular: “Além de ser genial, eu não sento no pudim”.

O monumento deixa de ser estático. O monumento fala. E, falando, recusa permanecer imóvel no pedestal.

A expressão popular não desfaz a monumentalidade reivindicada. Introduz nela uma dimensão dinâmica, em que a consciência da grandeza convive com o humor, a espontaneidade e a recusa da acomodação.

O efeito é uma combinação de registros que raramente aparecem reunidos com tamanha naturalidade: a solenidade do pensamento, a exuberância da imaginação, a oralidade brasileira e a disposição permanente para surpreender.

Nessa perspectiva, as tiradas de Taurino Araújo não funcionam apenas como manifestações de autoconfiança. Constituem eloquentes construções de sentido, nas quais objetos cotidianos são deslocados de suas funções habituais e convertidos em imagens intelectuais.

A língua de Taurino também se manifesta na palavra pública

A interpretação de Celso Cunha Neto encontra um ponto de diálogo com o estudo do professor titular da UNIRIOWillis Santiago Guerra Filho, que identifica em Poema absurdo uma particular “gramática poética de competências”.

Na poesia examinada por Willis, objetos, tempos e espaços recebem capacidades inesperadas: o relógio adquire direito de defesa, o passado interfere no jogo de xadrez e a casa oscila entre habitação, memória e posição no tabuleiro.

Na entrevista, o deslocamento semântico reaparece em outra modalidade discursiva. A régua transforma-se em critério intelectual; o monumento converte-se em sujeito falante; o pudim passa a representar a acomodação recusada.

Embora a criação poética e a conversação pública sejam manifestações distintas, ambas permitem investigar uma afinidade expressiva: a capacidade de Taurino Araújo de transformar objetos comuns em acontecimentos de linguagem.

Sua palavra pública não se limita a transmitir ideias previamente organizadas. Ela também produz imagens, estabelece contrastes, surpreende o interlocutor e cria relações entre conceitos.

É nesse sentido que a entrevista pode ser compreendida como uma extensão performativa de sua personalidade literária.

O executivo das artes: da criação à ação institucional

A declaração “Sou um executivo das artes. Quero a Cadeira 32 para trabalhar pelas Letras do Brasil” acrescenta outra dimensão à construção autoral.

Depois da régua, que representa o julgamento, e do monumento, que simboliza a criação e a permanência, surge a figura do organizador cultural.

O escritor não reivindica apenas reconhecimento. Apresenta-se como alguém disposto a transformar sua experiência intelectual em trabalho institucional.

A expressão “executivo das artes” condensa criação, pensamento, organização, iniciativa e capacidade de realização. Nela se encontram a produção poética, a reflexão jurídica, a crítica literária, o magistério, as artes visuais e a experiência de gestão cultural.

Essa multiplicidade não precisa ser compreendida como dispersão. Pode ser interpretada como a manifestação de uma identidade intelectual que encontra sua unidade precisamente na capacidade de atravessar diferentes linguagens e campos do conhecimento.

A candidatura à Academia Brasileira de Letras passa, assim, a representar não apenas a aspiração a uma consagração literária, mas também a proposta de atuação de um intelectual que pretende colocar sua experiência a serviço da cultura brasileira.

Taurino Araújo, o causeur: inteligência, erudição e espírito

A reunião dessas características conduz Celso Cunha Neto a uma categoria especialmente expressiva para compreender a personalidade de Taurino Araújo: a do causeur, palavra francesa que designa o grande conversador, aquele que transforma o diálogo em manifestação de inteligência, cultura, imaginação e arte verbal.

Não se trata simplesmente de alguém que fala muito ou possui facilidade de expressão. O verdadeiro causeur reúne erudição e espontaneidade, memória e improvisação, raciocínio rápido e imaginação criadora, capacidade de argumentação e sensibilidade para perceber o inesperado nas situações mais comuns.

É justamente nessa combinação que a personalidade pública de Taurino revela uma de suas características mais marcantes.

A régua, o monumento, o pudim e o executivo das artes deixam de ser expressões isoladas. Passam a integrar uma mesma arquitetura verbal, na qual o pensamento se manifesta por imagens, a erudição convive com a linguagem popular e o humor funciona como instrumento de inteligência.


Na formulação conclusiva proposta para Celso Cunha Neto, da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA):

“Taurino Araújo é um causeur extraordinário, na mais rica tradição dos grandes conversadores brasileiros. Reúne inteligência fulgurante, erudição enciclopédica, memória privilegiada, imaginação criadora, espírito crítico, raciocínio rápido, ironia fina, humor desconcertante, espontaneidade, eloquência, domínio da língua e uma rara capacidade de transformar qualquer conversa em acontecimento intelectual.

 Nele, o poeta, o jurista, o pensador, o professor, o crítico literário e o artista visual não se revezam: manifestam-se simultaneamente, numa personalidade de exuberância verbal e cultural incomum.

Suas tiradas não são simples frases de efeito; são pequenas construções de pensamento, nas quais a sabedoria convive com a irreverência, a erudição encontra a oralidade popular e a inteligência se manifesta também pelo riso.

Taurino possui a arte de surpreender o interlocutor, deslocar os sentidos habituais das palavras e produzir imagens que permanecem na memória. É um conversador que pensa poeticamente e um poeta que conversa criando. No que se parece muito com Afrânio Peixoto”.

A aproximação com Afrânio Peixoto, médico, escritor, professor, crítico e acadêmico baiano, estabelece uma conexão com a tradição brasileira dos intelectuais de formação múltipla, capazes de transitar entre ciência, literatura, pensamento e vida pública.

Nessa perspectiva, a personalidade de Taurino Araújo não se esgota na imagem do poeta, do jurista ou do candidato à Academia. Sua expressão pública revela também o conversador de espírito inventivo, para quem a palavra é simultaneamente instrumento de pensamento, criação e intervenção cultural.

A régua mede, o monumento fala, o humor movimenta e o causeur reúne todas essas dimensões numa personalidade intelectual que faz da própria conversação uma forma de arte.

Ana Geiger - Retrato de 2016. Crédito: Universidad Nacional de Tres de Febrero (UNTREF) / Wikimedia Commons — CC BY-SA 4.0; Taurino Araújo - Arquivo pessoal; Drauzio Varella — foto de maio de 2025, Crédito: Luiz Munhoz / Festival Fronteiras — CC BY-SA 2.0.
Os favoritos Anna Bella Geiger, Taurino Araújo e Dráuzio Varella

A literatura transforma também quem a escreve

Outra passagem da entrevista ganha profundidade quando Taurino invoca Cyro de Mattos para afirmar que a literatura é transformadora e que as pessoas passam a se parecer cada vez mais com aquilo que escrevem. A formulação dialoga com uma conhecida reflexão de Cyro: “A literatura não muda o mundo, transforma as pessoas”. Taurino amplia o raciocínio ao próprio processo de formação do escritor: a criação não apenas expressa uma personalidade preexistente, mas participa continuamente de sua construção.

Essa interpretação ajuda a compreender a convivência entre a monumentalidade atribuída à obra pela crítica e o humor com que o poeta se apresenta publicamente. Ao recordar que Nelson Cerqueira considera A Caturna um poema monumental e o próprio autor um monumento vivo da Língua Portuguesa, Taurino imediatamente rompe a solenidade: “Além de ser genial, eu não sento no pudim”.

A expressão coloquial introduz movimento na imagem do monumento. O escritor reivindica reconhecimento, mas recusa a imobilidade contemplativa. Define-se como “executivo das artes” e associa a candidatura à disposição de trabalhar pela literatura brasileira. Entre a formação inspirada nos grandes polímatas, a transformação promovida pela criação e a atividade cultural permanente, a entrevista revela uma personalidade literária que procura fazer coincidir obra, pensamento e ação pública.

Gramática poética

Professor titular da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), Willis Santiago Guerra Filho assina o ensaio ‘Na língua de Taurino Araújo: xadrez, casa, tempo, drama e Kafka no Poema absurdo’. Nele, propõe a categoria de gramática poética de competências para compreender como a escrita atribui a objetos, seres e tempos capacidades que não possuem na experiência cotidiana.

Na leitura do pesquisador, o passado movimenta peças de xadrez, o relógio adquire direito à defesa e os objetos guardam lembranças. O absurdo estabelece possibilidades próprias dentro do poema, preservando uma coerência interna. A palavra casa, que designa tanto habitação quanto posição no tabuleiro, aproxima espaço vivido e jogo existencial.

Guerra Filho situa a análise no conjunto de mais de três mil páginas reunidas em ‘A caturna e outros poemas: 40 anos de poesia brasileira 1984–2024’. O professor ressalva que a diversidade da produção impede tomar poema isolado como representação de toda a obra. A hipótese crítica permite, entretanto, examinar procedimentos que reaparecem em diferentes composições.

Direito e criação

O ensaio também aproxima ‘Poema absurdo’ de ‘O pendor ao drama — Tributo a Franz Kafka’. Nos dois textos, o pesquisador identifica termos do universo jurídico, como sentença, prova e testemunha, associados a situações domésticas e inquietações existenciais. A experiência do jurista participa, assim, da construção literária, integrada às questões de linguagem, memória e tempo.

A dimensão visual também recebe atenção. Segundo Guerra Filho, a experiência artística de Taurino ajuda a compreender uma poesia que organiza o pensamento por cenas, objetos e espaços. Casa, tabuleiro, retrato e telha assumem funções na composição, aproximando palavra e imagem.

Da repercussão literária à escolha acadêmica

A circulação da entrevista, associada aos estudos críticos e às reportagens sobre a sucessão de Zuenir Ventura, amplia as oportunidades de conhecimento público da candidatura baiana. Seu impacto eleitoral, entretanto, dependerá da recepção dos acadêmicos.

A oito dias da publicação da entrevista e com a eleição marcada para 12 de novembro, Taurino Araújo apresenta uma candidatura que procura reunir obra literária, fortuna crítica, personalidade intelectual e capacidade de realização cultural.

É nesse contexto que sua declaração adquire sentido institucional: “Sou um executivo das artes. Quero a Cadeira 32 para trabalhar pelas Letras do Brasil.”

Mais do que a conquista de uma distinção honorífica, o candidato apresenta sua eventual eleição como oportunidade de atuação pela literatura e pela cultura brasileira.

É esse percurso que Taurino apresenta aos acadêmicos na sucessão de Zuenir Ventura. Na entrevista ao Notícia Livre, associa as quatro décadas de produção à transformação pessoal proporcionada pela literatura. Entre a confiança do candidato e o favoritismo apontado por Walter Brito, a decisão de 12 de novembro cabe aos integrantes da Academia.

Fotos

Anna  Bella Geiger – Retrato de 2016. Crédito: Universidad Nacional de Tres de Febrero (UNTREF) / Wikimedia Commons — CC BY-SA 4.0;

Taurino Araújo – Arquivo pessoal;

Drauzio Varella — foto de maio de 2025, Crédito: Luiz Munhoz / Festival Fronteiras — CC BY-SA 2.0.

• In Taurino Araújo’s Tongue Chess House Time Drama and Kafka in “Absurd Poem”

 

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