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Cariani nega relação com tráfico de drogas após pedido de condenação do Ministério Público

Em vídeo, ele diz ter sido sócio de uma indústria química que foi vítima de fraude. Investigação atribui ao influenciador o desvio de produtos para fabricação de cocaína

31/10/2026 às 05h29
Por: Nicolas Leite
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© Reprodução / Instagram
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O influenciador, empresário e atleta Renato Cariani, 50, se pronunciou na quinta-feira (29) sobre a decisão do Ministério Público de São Paulo de pedir à Justiça a condenação dele por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. A investigação atribui a ele o desvio de produtos químicos para fabricação de cocaína e crack entre 2016 e 2020.

 

"Gente, não é um processo novo, tá? Quem me acompanha há muito tempo no canal sabe, eu fui sócio de uma indústria química e essa indústria química foi vítima de uma fraude e essa fraude virou um processo porque eu sou um dos donos", disse em vídeo publicado no Youtube.

Cariani voltou a dizer ser inocente e afirmou que confia na Justiça. "Esse é o papel do Ministério Público, realizar acusação. E ele manteve essa postura até agora. O papel da minha defesa é o quê? É provar que nós estamos certos, provar nossa inocência", acrescentou.

A defesa do réu disse, em nota, que o processo se encontra em fase de alegações finais defensivas. Os advogados Aldo Romani Netto e José Eduardo Martins Cardozo afirmaram que responderão a cada uma das teses apresentadas, demonstrando que são improcedentes. Logo depois, o processo deverá ter decisão do juiz responsável. Não há prazo para que isso ocorra.

Além do influenciador, a Promotoria também pediu a condenação de Roseli Dorth, sócia de Cariani em uma empresa para venda de produtos químicos, a Anidrol Produtos para Laboratórios Ltda., em Diadema, e o suposto intermediário Fábio Spinola Mota, apontado como membro do PCC (Primeiro Comando da Capital).

Mota havia sido preso no início de 2023 em uma operação da Polícia Federal, a Downfall, que investigou esquema de tráfico internacional e interestadual de drogas, com diversas ramificações no país.

A defesa de Mota diz que seu cliente é inocente. Segundo a advogada Paula Minichillo, durante a instrução criminal foram produzidas provas que refutam integralmente as alegações da denúncia e corroboram as declarações prestadas em seu interrogatório.

A reportagem questionou por mensagem o advogado de Dorth na quarta-feira (28) e nesta sexta (30), mas ele não respondeu sobre o caso até a publicação deste texto.

A investigação da Polícia Federal concluiu que parte do material adquirido legalmente pela Anidrol era desviado para a produção de drogas. Para justificar a saída dos produtos, eram emitidas notas fiscais falsas e depósitos em nome de laranjas, usando indevidamente o nome da biofarmacêutica AstraZeneca.

Conforme a investigação, foram desviadas cerca de 12 toneladas de produtos como acetona, éter etílico, ácido clorídrico, cloridrato de lidocaína, manitol e fenacetina, substâncias utilizadas para transformar a pasta base de cocaína em pó ou em pedras.

Ainda conforme a polícia, as investigações tiveram início após a Receita Federal detectar depósito em dinheiro, no valor de R$ 212 mil, aparentemente feito pela AstraZeneca. A biofarmacêutica negou, porém, tal movimentação e também ligação com a empresa do influenciador.

Ao longo da apuração, Cariani apresentou troca de mensagens com um suposto funcionário do laboratório, Augusto Guerra. A análise telemática demonstrou, contudo, que teria sido Mota, amigo de Cariani, quem havia registrado um domínio na internet em nome da AstraZeneca, com extensão com.br, e criado um email em nome desse funcionário fantasma.

A estimativa da PF é de que o esquema de desvios de produtos possa ter rendido ao grupo valores superiores a R$ 6 milhões.

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