
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (1º) que vai realizar uma reunião com a equipe de seu governo sobre a regulação das bets ainda nesta semana, e disse ter que tomar uma decisão mais "drástica" sobre as plataformas.
As falas foram feitas durante encontro em que recebeu demandas de representantes de entidades religiosas e setores da economia que pedem uma maior regulação dos sites de aposta.
"Eu pessoalmente acabava com as bets, eu acho que é um mal da sociedade. Agora, como presidente da República, eu tenho que saber que tem outras coisas que eu tenho que compartilhar, decisões para que a gente possa fazer da forma mais correta possível", disse Lula. "Eu acho que nós temos que tomar a decisão mais drástica. Porque nós não temos sequer inflação de demanda."
Entre os convidados estiveram o Frei Jorge Luiz, da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), presidida por dom Jaime Spengler, que também era esperado no encontro. A entidade tem se posicionado de forma contrária à legalização de jogos de azar no país e alega danos sociais, familiares e espirituais provocados pela promoção das plataformas de apostas.
O Planalto também reuniu representantes de setores da economia como Ricardo Alban, presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), e Isaac Sidney, presidente da Febraban (Federação Brasileira de Bancos).
O cantor Emicida, a produtora cultural Paula Lavigne e o influenciador Yuri Zero, da página de humor Melted Vídeos também participaram da conversa.
Ao fim do encontro, Lula agradeceu aos presentes pelas contribuições e afirmou que a discussão desta terça era a etapa que faltava para tomar uma decisão mais efetiva sobre o tema.
"Quero agradecer a vocês porque hoje considero um norte para que a gente possa tomar uma decisão. Tem dois terços da decisão tomada. Faltava essa reunião para que a gente possa afinar e tomar uma decisão. É extremamente importante que a gente salve o país", disse.
A busca por fontes de renda extra foi apontada, ao longo da conversa, como um dos motivadores para a população recorrer aos jogos de apostas.
"Essa semana nós temos uma reunião e eu sugeri que, antes de tomar qualquer decisão definitiva, eu queria ouvir o que a sociedade brasileira pensa sobre as bets para que a gente tome uma decisão baseada naquilo que a sociedade brasileira está sofrendo", afirmou.
"A gente tentou regular, tentou proibir. Mas proibir 60 mil bets clandestinas não é fácil, o nosso pessoal do Procon não tem condição de fiscalizar, não tem estrutura para tanto bandido junto, não tem prisão de segurança máxima que caiba tanta gente", declarou.
Assim como a CNBB, o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs também marcou presença na reunião e foi representado pela pastora Patrícia Bauer, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil.
À Folha de S. Paulo ela antecipou que o conselho iria pedir a restrição dos anúncios referentes às bets, a regulamentação que imponha limites operacionais às plataformas e campanhas de conscientização acerca dos riscos das apostas.
A entidade também abordou medidas de proteção à renda dos usuários e de assistência à saúde pública.
Organizações ligadas a proteção de crianças, como o Instituto Alana, também compareceram. O instituto foi representado pela jornalista Maria Mello, para abordar a questão das bets no contexto de crianças e adolescentes.
O governo Lula tem adotado uma postura crítica às apostas online. O presidente, que atribui parte do endividamento da população às plataformas, já havia dito ter a intenção de "fechar" as bets.
Dados do Ministério da Fazenda de agosto mostram que as bets autorizadas a atuar em nível federal receberam R$ 220 bilhões em depósitos durante 2025.
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