Cultura Exposição Assemblage

Exposição em homenagem a Santa Dulce dos Pobres continua no TJBA até 14 de agosto

Mostra reúne 28 artistas baianos e apresenta diferentes interpretações contemporâneas do legado de acolhimento, dignidade e cuidado da primeira santa brasileira

05/08/2026 às 10h54 Atualizada em 05/08/2026 às 11h04
Por: Galego Noticias
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Taurino Araújo na criação de AGREGAÇÃO (2017) em homenagem ao legado de Santa Dulce dos Pobres - Foto: Divulgação
Taurino Araújo na criação de AGREGAÇÃO (2017) em homenagem ao legado de Santa Dulce dos Pobres - Foto: Divulgação

 

A exposição “A Última Porta: Arquiteturas do Acolhimento” continua aberta ao público no foyer do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA), em Salvador, e poderá ser visitada até o dia 14 de agosto de 2026. A mostra reúne obras de 28 artistas, entre fotografias, gravuras, pinturas, assemblages e esculturas inspiradas na trajetória humana, social e espiritual de Santa Dulce dos Pobres, conhecida como o Anjo Bom da Bahia.

Aberta no último dia 3, a exposição é organizada pela Assessoria de Ação Social do TJBA em parceria com a Associação Baiana de Artes Visuais (ABARVI). Os participantes foram selecionados por meio de edital lançado pela Corte baiana em março deste ano, com o objetivo de ampliar o espaço institucional destinado à produção artística da Bahia.

Entre as obras selecionadas está AGREGAÇÃO, do advogado, artista visual, poeta e jurista Taurino Araújo. Integrante da série Assemblage no Parque da Cidade, produzida em 2017, a obra transforma folhas, cascas, sementes, galhos e outros fragmentos naturais em uma composição visual dedicada ao acolhimento e à dignidade humana.

Em AGREGAÇÃO, a homenagem a Santa Dulce não ocorre por meio de uma representação figurativa da religiosa. O diálogo com seu legado é estabelecido pela convivência entre elementos distintos, que preservam suas singularidades enquanto passam a integrar uma mesma comunidade visual.

A composição sugere que acolher não significa apagar diferenças, mas criar condições para que elas coexistam e adquiram sentido coletivo. Nesse contexto, a obra se aproxima diretamente do conceito central da exposição, sintetizado pela ideia de que uma verdadeira arquitetura do acolhimento pode nascer das relações humanas, e não apenas de estruturas materiais.

Segundo o memorial artístico, em AGREGAÇÃO, “a arquitetura não é construída por paredes, mas por relações”. Folhas, sementes, cascas e galhos deixam de aparecer como fragmentos isolados e passam a formar uma estrutura simbólica de pertencimento. A obra converte, assim, a própria organização da matéria natural em metáfora da convivência, do cuidado e da dignidade compartilhada.

A participação de Taurino Araújo também evidencia o caráter transdisciplinar de sua produção, situada no encontro entre artes visuais, literatura, filosofia, direito e reflexão humanística. Exibida na sede do Poder Judiciário baiano, a obra estabelece ainda uma aproximação simbólica entre arte, justiça e responsabilidade social.

A exposição foi programada em proximidade com o dia litúrgico de Santa Dulce dos Pobres, celebrado em 13 de agosto. Durante a cerimônia de abertura, a superintendente das Obras Sociais Irmã Dulce e sobrinha da santa, Maria Rita Lopes, destacou a presença, nas obras, de diferentes mensagens relacionadas aos valores defendidos por Santa Dulce.


A obra AGREGAÇÃO, integrante da série Assemblage no Parque da Cidade (2017), interpreta o legado de Santa Dulce ao transformar folhas, cascas, sementes e galhos em uma metáfora visual do acolhimento e da dignidade humana.

A mostra apresenta interpretações variadas de sua trajetória e de seu compromisso com as pessoas mais vulneráveis. Participam da coletiva artistas como Bel Borba, Taurino Araújo, Juarez Paraíso, Maria Adair, Felix Sampaio, Celso Cunha Neto, Maria Nazaré Santos, Carmem Freaza e Tadeu Bahia, entre outros.

Serviço

Exposição: A Última Porta: Arquiteturas do Acolhimento
Período: até 14 de agosto de 2026
Local: Tribunal de Justiça da Bahia — Salvador
Realização: Assessoria de Ação Social do TJBA e Associação Baiana de Artes Visuais (ABARVI)
Entrada: gratuita
Visitação: de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h

A abertura da exposição foi prestigiada pelos artistas, além de servidores(as) e magistrados(as). O Presidente do TJBA, Desembargador José Edivaldo Rocha Rotondano, participou do evento.



De acordo com a coordenadora da Assessoria de Ação Social (AAS) do TJBA, Maria Paula Blumetti, a escolha do período para lançamento da mostra foi motivada pelo dia litúrgico de Santa Dulce dos Pobres, celebrado em 13 de agosto. Nesta data, no ano de 1933, a então freira vestiu o hábito litúrgico pela primeira vez. “A exibição apresenta quadros e esculturas que engradecem e homenageiam a santa”, destaca.

A curadoria  da exposição encontra-se a cargo de Celso Cunha Neto, da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA), também presidente da ABARVI.

 

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