
O prefeito Bruno Reis (União) tem deixado as declarações públicas sobre a eleição de 2024 em Salvador para a virada do ano. Apesar disso, tem feito movimentações nos bastidores em busca de apoios políticos para o ano que vem e mudanças pontuais também vem sendo realizadas por Bruno com o objetivo de afinar sua gestão. Em seu último ajuste, o prefeito decidiu colocar um novo nome na Secretaria de Desenvolvimento Urbano. Antônio José Oliveira Lins foi nomeado para o cargo de diretor geral da Sedur, alocado na Diretoria de Fiscalização. Atualmente a pasta é comandada por João Xavier.
A chegada à linha auxiliar do Palácio Thomé de Souza não é uma novidade para Antônio, que já atuou como diretor Administrativo e Financeiro da Empresa Salvador Turismo (Saltur) ainda durante a gestão de ACM Neto. Nos bastidores, Lins é apontado como um quadro técnico capaz de desempenhar a nova função e tocar demandas que atualmente estão paradas na secretaria. Mas sua ligação com o ex-ministro e presidente do PL na Bahia, João Roma, é vista como um sinal de Bruno Reis para pavimentar o caminho e receber o apoio do partido em sua disputa pela reeleição.
Antônio Lins tem amplo currículo na área de administração pública e, além de Salvador, já trabalhou na União dos Municípios da Bahia (UPB) e na prefeitura de Jequié, onde foi secretário da Fazenda do prefeito Zé Cocá (PP). Em abril de 2021 ele pediu exoneração e seguiu os passos de João Roma em Brasília. No Ministério da Cidadania, Lins foi subsecretário de Assuntos Administrativos da Secretaria-Executiva.
Segundo informações obtidas, o novo diretor geral da Sedur de Salvador chegou a ser sondado por pessoas do governo Jerônimo Rodrigues e tinha propostas para trabalhar em Brasília, mas escolheu a função na capital baiana.
Questionado sobre a novidade, João Roma se resumiu a dizer que Antônio é "um excelente quadro e vai fazer um bom trabalho". "É um cara que eu admiro muito, que eu respeito, apesar de não subscrever a indicação. O conheci inclusive na prefeitura [de Salvador]", disse em contato pelo telefone. O ex-ministro não admitiu, no entanto, que a indicação tenha partido do PL.
Mesmo não sendo um indicativo oficial do apoio do partido ao prefeito, o GN também apurou junto a outros interlocutores que a escolha por Antônio Lins é interpretada como Bruno "trabalhando para agradar" Roma e sua legenda. O gestor da capital baiana sabe que tem no PL um robusto tempo de rádio e televisão e busca bater o martelo na equação. "Vai adoçando e não deixa de ser um facilitador de relação, as próprias pessoas que fazem parte na hora que [o partido] for tomar uma decisão. Não deixa de ser uma manobra de ir cercando a pessoa. Sem dúvida nenhuma não deixa de ser um gesto, vai colocando e vai adoçando", disse uma das fontes ouvidas pela reportagem.
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