

Frutas naturalmente doces, receitas adaptadas e novos sabores passaram a fazer parte da rotina alimentar das crianças atendidas pela rede municipal de ensino de Vitória da Conquista. Desde 2025, a Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Educação (Smed), vem retirando gradualmente o açúcar adicionado às preparações servidas nos 24 Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs) e nas oito creches conveniadas. Mais de um ano após o início da mudança, o trabalho avança com a adaptação dos cardápios, a aceitação das refeições pelas crianças e a participação das famílias na construção de hábitos alimentares mais saudáveis.

Katiuscia Sampaio
No CMEI José Capitulino Teles, a implantação da medida começou em 2025 e foi acompanhada por ações de conscientização dos responsáveis. A diretora Katiuscia Sampaio destaca a importância desse envolvimento para a aceitação da nova alimentação pelas crianças. “Nós fizemos a conscientização com as famílias e foram aceitando muito bem. A primeira infância é a época mais importante para começar a adotar hábitos alimentares saudáveis”, relata.
A adaptação, no entanto, pode ser mais difícil para crianças que ingressam pela primeira vez na creche aos dois, três ou quatro anos, muitas vezes acostumadas a consumir doces, chocolates, pirulitos e achocolatados. A mudança na rotina alimentar pode provocar resistência a determinados alimentos e desperdício, já que algumas crianças ainda não estão habituadas ao sabor natural dos ingredientes. Por isso, a rede mantém ações de educação alimentar para favorecer a aceitação das refeições.
Para tornar as refeições mais atrativas, a equipe de alimentação escolar reformula os cardápios, testa receitas e avalia a palatabilidade das preparações. A nutricionista da alimentação escolar Larissa Andrade explica como esse processo funciona. “Na elaboração dos cardápios, passamos a utilizar ingredientes que podem substituir o açúcar nas preparações, como frutas naturalmente doces”, afirma.
O coordenador de Alimentação Escolar, Rodrigo Gigante, explica que a mudança foi planejada de forma gradual, respeitando o período de adaptação das crianças e das equipes responsáveis pelo preparo das refeições. Segundo ele, até o momento, a Secretaria não recebeu reclamações das famílias sobre a medida.
“A medida deveria ter sido implementada em 2021, mas, com a pandemia, houve flexibilização. No final de 2024, entendemos que já era o momento de iniciar essa implementação”, explicou Rdorigo.
A iniciativa também levou em consideração a organização das unidades, que atendem crianças de diferentes idades. Embora a regulamentação nacional estabeleça restrições específicas para determinadas faixas etárias, a Smed decidiu estender a retirada do açúcar adicionado às preparações destinadas a todas as crianças atendidas nos CMEIs e nas creches conveniadas, incluindo aquelas de quatro e cinco anos.
Um dos principais desafios é fazer com que os hábitos incentivados nas unidades escolares também sejam adotados em casa. Por isso, a orientação aos responsáveis faz parte do trabalho desenvolvido pela Smed.

Jelma Meira Alves
A coordenadora da Educação Infantil do Núcleo Pedagógico, Jelma Meira Alves, destaca a importância dessa parceria para aproximar as práticas alimentares da escola e da família. A conscientização inclui orientações sobre a leitura dos rótulos, uma vez que muitos produtos industrializados contêm açúcar adicionado em sua composição. Dessa forma, mesmo quando não há adição direta de açúcar às preparações, as crianças podem consumi-lo por meio de alimentos industrializados.
Quando uma unidade identifica dificuldades de adaptação, a equipe de nutrição pode promover reuniões com os responsáveis para esclarecer dúvidas e explicar os benefícios da proposta.
A iniciativa integra o projeto de Educação Alimentar e Nutricional (EAN) da Smed, que, segundo a Coordenação de Alimentação Escolar, alcança cerca de 32 mil estudantes em 145 escolas municipais. O trabalho contempla a primeira infância, a educação infantil e o ensino fundamental.
As ações são adaptadas às diferentes faixas etárias e buscam ensinar, desde cedo, a importância de uma alimentação equilibrada. Entre os assuntos abordados estão os efeitos do consumo excessivo de açúcar, o conhecimento dos alimentos e a valorização de escolhas mais saudáveis.
A nutricionista Larissa Andrade ressalta que a redução do açúcar na infância é uma medida importante de prevenção. “O açúcar é um produto que fornece calorias, mas não oferece benefícios nutricionais significativos, por isso é importante evitar o consumo excessivo”, destaca.
O consumo excessivo de açúcar pode contribuir para o desenvolvimento de sobrepeso e obesidade, além de estar associado a outros problemas de saúde. A proposta é incentivar hábitos alimentares saudáveis desde os primeiros anos de vida.
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