
Foto: Divulgação - Redes Sociais
A literatura de cordel, assim como o repente, nunca teve grandes representantes na Bahia, falando-se de valores natos, até o surgimento, na década de 1970, do feirense Franklin Cerqueira Machado. Filho de tradicional família local, ele abdicou de tudo para ser cordelista e agora, com mais de meio século na atividade e referência dessa arte literária na Bahia, ele pleiteia, com razão, seu ingresso na Academia Brasileira de Letras (ABL).*
Embora não sendo uma criação nossa, e sim importado da Europa, através dos portugueses, como uma forma de literatura popular, o cordel ou literatura de cordel, assim designado devido à forma de exposição dos livros, pendurados em um cordel, uma corda muito fina ou barbante, geralmente em feiras-livres e outros espaços públicos, ganhou enorme notoriedade no Nordeste brasileiro, com a característica de revelar talentosos poetas, notadamente oriundos das camadas mais simples da população, assim desprovidos de títulos e diplomas. Os livros de cordel originariamente contavam verdadeiras fábulas, entrelaçando heróis, animais falantes, episódios históricos, romances apimentados, fatos políticos, o cangaço e muitos outros assuntos de repercussão popular.
No Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Ceará, principalmente, surgiram grandes nomes que capitanearam esse tipo de literatura popular pautado no verso rimado. Não se pode colocar a Bahia como expoente nessa arte, mas, pela existência da grandiosa feira-livre nos dias de segunda-feira e a feira-do-gado, no mesmo dia, a Cidade Princesa passou a se constituir em uma espécie de vetor de manifestações da cultura popular e, desse modo, atraindo importantes cordelistas, a exemplo do alagoano Rodolfo Coelho Cavalcante, que morava em Salvador e, durante algum tempo, residiu nesta cidade. “O bicho que está aparecendo em Feira de Santana” foi uma das obras de Cavalcante quando aqui esteve. Além de produzir livros de poesia popular de grande vendagem, Rodolfo Cavalcante diferenciava-se de outros cordelistas pela apurada aparência. Apresentava-se sempre de terno completo, bem barbeado e atencioso.
Cuíca de Santo Amaro, que, na verdade, era natural de Salvador, foi outro que vivenciou a cidade, especialmente a famosa feira-livre, inclusive escrevendo o livro ‘Os criminosos de Feira’, relatando o episódio prognosticado por um grupo de rapazes da sociedade local que, sob o efeito de bebidas, invadiu o Cemitério Piedade, dele retirando caveiras, nas quais beberam em uma boate. A fama da feira-livre e do prodigioso crescimento urbano da Terra de Senhora Santana trouxe muitos outros cordelistas e artistas populares de um modo geral. De Mata de São João, radicou-se em Feira e aqui permaneceu até o final de vida Antônio Alves dos Santos, que teve vasta produção. Assim como ele, Erotíldes Miranda dos Santos, que era de Candeal e começou a versejar em Salvador, aqui se radicando.
Os irmãos Caboquinho (José Crispim Ramos) e João Ramos, vindos de Serrinha, Jota Carlos, Siviriano Dionísio Gonçalves, Arlindo Rosa, Zadir Porto, Jurivaldo Alves e a filha Patrícia Oliveira, oriundos de Rui Barbosa, Domingos Santeiro, Cassimiro, o destacado comunicador Nivaldo Cruz, têm contribuído bastante para a existência dessa arte literária na Cidade Princesa, todavia nenhum até hoje com a intensidade e qualidade de Franklin Machado, o Maxado Nordestino.
De tradicional família local, o jornalista e advogado Franklin de Cerqueira Machado, filho do dentista Isaac Barros Machado e da professora Anita Vitoria Cerqueira Machado, preferiu abdicar de tudo em 1972 para produzir e vender livros de literatura popular no Rio de Janeiro e São Paulo, tornando-se não apenas a maior referência do cordel de Feira de Santana como da Bahia. Com uma produção que se pode estimar a caminho de uma centena de livros de cordel, com extrema variedade temática, graças à sua formação intelectual, ele também é autor de livros como ‘O que é a literatura de Cordel’, que permite ao leitor uma verdadeira visão sobre esse estilo literário.
Membro da Academia Feirense de Letras, ex-diretor da Casa do Sertão (Museu da Universidade Estadual de Feira de Santana – UEFS) e do Museu Regional, jornalista com passagens pelos mais importantes jornais do estado, Franklin Machado, ou Maxado Nordestino, consolidado como o maior nome do cordel na Bahia, agora pleiteia ingresso na Academia Brasileira de Letras (ABL), almejando a Cadeira de Número 32, antes ocupada por Zuenir Ventura, que sucedeu a Ariano Suassuna. Justifica sua aspiração com forte argumento, observando que: ‘Se o Cordel já é patrimônio cultural, é justo que tenha assento entre quem é imortal’.
Por Zadir Marques Porto
.jpg)
(2).jpg)
Feira de Santana-BA Prefeitura abre licitação para restaurar prédio histórico da antiga Escola Maria Quitéria
Feira de Santana-BA Resultado preliminar do Projeto Pérola Negra é divulgado
Alagoinhas - BA OPzinho realiza formação de delegados e fortalece participação estudantil no Colégio Municipal de Alagoinhas
Alagoinhas - BA Limpeza pós-eleição mobiliza equipes da Seman em diferentes pontos de Alagoinhas
Feira de Santana-BA Museu Parque do Saber encerra expediente antecipadamente nesta terça-feira em razão de obras
Feira de Santana-BA Casa do Trabalhador oferta 360 vagas com destaque para telemarketing e oportunidade em Jequié
Feira de Santana-BA Cesta básica registra alta de 1,58% entre agosto e setembro em Feira de Santana
Feira de Santana-BA ANGUERA: ANTIGO DISTRITO DE FEIRA CRESCE SEM ESQUECER O PASSADO
Feira de Santana-BA 4º Mutirão de Pediatria beneficia cerca de 300 crianças e reforça importância do acompanhamento infantil em Feira de Santana