
O alerta de baixa umidade do ar para esta quinta-feira (1º), emitido pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) para Vitória da Conquista, reforça a necessidade de cuidados não apenas com a saúde das pessoas, mas também com cães e gatos. O tempo seco e as altas temperaturas podem aumentar o risco de desidratação, queimaduras nas patas e outros problemas provocados pelo calor.
Diante desse cenário, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) orienta os tutores a redobrarem a atenção com a hidratação dos animais, os horários dos passeios e a exposição ao sol. Cuidados simples, como manter água fresca sempre disponível, garantir ambientes ventilados e com sombra e evitar passeios nos períodos mais quentes do dia, ajudam a proteger a saúde e o bem-estar dos animais.

O alerta ganha ainda mais importância diante da previsão de ondas de calor extremo no Brasil nos próximos meses, associadas aos efeitos do El Niño.
De acordo com a assessora especial da Semma, Ana Cláudia Passos, a primeira recomendação é garantir que os animais tenham acesso permanente à água fresca. “É importante disponibilizar água fresca, trocar constantemente e deixar os animais em ambientes frescos, com sombra e bastante ventilação”, orienta.
A recomendação vale também para os passeios. Em horários de sol forte, o asfalto, o concreto e as calçadas podem atingir temperaturas capazes de provocar queimaduras nos coxins, as chamadas “almofadinhas” das patas dos animais.
A veterinária do Centro de Apoio à Saúde Animal (Casa), Rebeca Iaínia, orienta que os passeios sejam realizados preferencialmente no início da manhã ou no final da tarde, quando as temperaturas tendem a ser mais amenas. “Eles não têm calçados para proteger os coxins. Então, é importante evitar os horários em que o sol esteja mais quente”, explica.
Uma dica simples é testar a temperatura do chão antes de sair com o animal. Se estiver quente demais para a mão, também estará quente demais para as patas.
O excesso de calor pode provocar um quadro de hipertermia, quando a temperatura corporal do animal sobe de forma perigosa. Segundo Rebeca, um dos primeiros sinais é a respiração muito ofegante e acelerada, que pode evoluir para desmaio e até levar o animal à morte. “Eles podem chegar a 40°C, 41°C de temperatura e entrar em colapso. É uma situação muito grave”, alerta a veterinária.
Em casos de suspeita de hipertermia, o animal precisa ser resfriado e receber atendimento veterinário o mais rapidamente possível. Já a desidratação pode apresentar sinais como olhos mais fundos, focinho mais seco e opaco e alteração na elasticidade da pele.

Por isso, além de manter água disponível, os tutores podem reforçar a hidratação por meio da alimentação, sempre com orientação profissional. Alimentos como melancia e melão podem ser oferecidos em pequenas quantidades, desde que sejam adequados para aquele animal. A veterinária ressalta que nem todas as frutas são seguras: a uva, por exemplo, pode provocar intoxicação em cães e gatos.
Outra alternativa é acrescentar um pouco de água ao sachê ou oferecer alimentos que o animal já consome habitualmente em versões congeladas, como forma de ajudar na hidratação e refrescá-lo.
Outro cuidado fundamental é não deixar animais dentro de carros fechados, nem mesmo por poucos minutos. “Jamais deixe o animal em veículos fechados. De forma nenhuma, nem por um minuto. A tendência é que a temperatura aumente muito e o risco para o animal é muito alto”, reforça Ana Cláudia.
Nos períodos de calor, também é importante manter os animais protegidos de pulgas e carrapatos. Com temperaturas elevadas, esses parasitas podem se proliferar com maior facilidade, aumentando o risco de doenças. A recomendação é manter os ciclos de desparasitação conforme orientação veterinária.
O cuidado não precisa ficar restrito aos animais que têm tutor. Em Vitória da Conquista, a população também pode contribuir para proteger cães e gatos que vivem ou circulam pelas ruas. Se um animal estiver procurando abrigo em uma calçada sombreada, por exemplo, a orientação é permitir que ele permaneça no local, já que a sombra ajuda na regulação da temperatura corporal.
Também é possível colocar um recipiente com água fresca em locais seguros e protegidos do sol, como calçadas e áreas de passagem. “Se as pessoas puderem colaborar, colocando água filtrada, mais fresca, até mesmo gelada, em vasilhas nas calçadas e em ambientes de praças, esses animais poderão encontrar água”, destaca Ana Cláudia.
A veterinária Rebeca Iaínia reforça que a iniciativa pode ser simples: um recipiente que já existe em casa pode se transformar em um bebedouro temporário. “Se todo mundo conseguir tirar um potinho velho de casa para colocar uma água na porta, em um local de sombra, já vai ser suficiente”, afirma.
A orientação é que esses recipientes sejam mantidos limpos e em locais que não ofereçam risco aos animais ou às pessoas. A população também é orientada a não retirar ou danificar os pontos de água disponibilizados para os animais.
Vitória da Conquista possui legislação municipal voltada à proteção e ao bem-estar animal. Entre as normas estão a Lei nº 2.207/2017 , que prevê multa para atos de crueldade contra animais; a Lei nº 2.383/2020 , que estabelece regras para a circulação de animais domésticos dóceis em espaços públicos e privados; e a Lei nº 2.954/2024, que reconhece cães e gatos como seres sencientes, sujeitos de direito, considerando sua capacidade de sentir dor e angústia.
Também está em vigor o Decreto nº 24.296/2026 , que estabelece o Protocolo de Captura, Esterilização e Devolução (CED) para o manejo populacional e sanitário de cães e gatos domésticos de vida livre e sem tutor reconhecido no município.
Além das ações de proteção e manejo, o Casa mantém atendimento veterinário à população. Atualmente, cerca de 500 animais são atendidos por mês pela unidade.
Para Ana Cláudia, diante de um município de grande extensão territorial e de uma demanda significativa, a participação da população é fundamental. “O município de Conquista é muito grande e sabemos que o poder público não tem condições de dar conta sozinho dessa demanda. Toda ajuda é bem-vinda”, destaca.
A Semma orienta que, ao perceber um animal apresentando sinais de sofrimento relacionados ao calor, como cansaço excessivo, dificuldade para caminhar ou respiração muito ofegante, a população pode acionar o Casa para avaliação e atendimento através dotelefone/whatsApp 3424-1090.
Em dias de calor intenso, atitudes simples — oferecer água, garantir sombra, evitar o asfalto quente e nunca deixar o animal dentro de um veículo — podem fazer toda a diferença para proteger a vida e o bem-estar dos animais.
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