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Grupo de Jaques Wagner na Bahia recebia R$ 3 milhões por mês, diz Vorcaro

O senador Jaques Wagner (PT-BA)

25/09/2026 às 09h42
Por: Nicolas Leite
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@noticiasuol
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O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do banco Master, afirmou que o grupo político do senador Jaques Wagner (PT) na Bahia recebia R$ 3 milhões por mês em propina. A acusação consta de uma proposta de colaboração premiada rejeitada pela PF (Polícia Federal) e pela PGR (Procuradoria-Geral da República) por insuficiência de elementos de corroboração.

Vorcaro diz não ter presenciado o suposto acerto, mas tomado conhecimento por seu ex-sócio Augusto Lima, que nega a acusação.

Segundo o ex-banqueiro, havia duas modalidades de pagamento que somariam R$ 3 milhões mensais.

Um valor de R$ 2 milhões era repassado por meio de um contrato entre o Master e a PKL One, empresa que explorava o Credcesta, cartão de crédito consignado destinado aos servidores da Bahia. O R$ 1 milhão restante era pago em espécie, ainda de acordo com a proposta de delação.



Contrato com a PKL One que prevê pagamento de R$ 2 milhões por mês
Imagem: Reprodução


Vorcaro afirma ainda que havia outras formas de repasse, como distribuição de lucros e dividendos e contratos fictícios.

Segundo ele, Wagner teria participação oculta na operação do Credcesta por meio da PKL One.

A Ebal (Empresa Baiana de Alimentos), estatal que detinha a operação do Credcesta, foi vendida em um leilão no qual a PF apura suspeitas de fraude e direcionamento à empresa de Augusto Lima. O certame ocorreu quando Wagner era secretário de governo da Bahia durante a gestão de Rui Costa (PT), ex-ministro da Casa Civil e hoje candidato a senador.

A proposta de delação obtida pelo UOL foi rejeitada. A PF deixou a negociação duas vezes e a PGR recusou o acordo por avaliar que os relatos não vinham acompanhados de elementos de corroboração suficientes.

As defesas de Jaques Wagner e de Augusto Lima refutaram as alegações e ressaltaram que a delação não apresentou provas suficientes. Já a defesa de Vorcaro disse repudiar a divulgação dos anexos e afirmou não reconhecer a autenticidade e a integridade do material.

O que disse Vorcaro
Segundo a proposta de delação, no centro da operação estava a PKL One, empresa com os direitos de exploração do Credcesta e que, de acordo com Vorcaro, era controlada por laranjas de Augusto Lima e de políticos.

Vorcaro afirma no documento que o "grupo de Jaques Wagner e Rui Costa recebia vantagens indevidas de diferentes formas:

cerca de R$ 2 milhões mensais pagos pelo Banco Master à PKL ou a prestadores indicados pela empresa, valor que Vorcaro afirma ter sido destinado a contratos fictícios e pagamentos em dinheiro;
distribuição de lucros e dividendos da PKL One, na qual Vorcaro afirma que pessoas ligadas ao grupo político tinham participação oculta;
R$ 1 milhão em espécie por mês após a saída de Guilherme Sodré, descrito por Vorcaro como "operador de confiança de Jaques", do quadro de sócios indiretos da PKL;
contratos que Vorcaro afirma serem fictícios e terem sido firmados com pessoas indicadas por Wagner, incluindo um contrato entre uma filha do senador e uma empresa offshore ligada a João Carlos Fal.

"O produto tinha acesso a um percentual da renda dos servidores públicos que as demais instituições financeiras não tinham acesso, tornando-o extremamente valioso", diz trecho do documento, reproduzindo o relato de Vorcaro.

Segundo a proposta de delação, Augusto Lima "se uniu com políticos baianos para fraudar a privatização da Ebal, por meio do direcionamento do processo de leilão e do escamoteamento do produto Credcesta".

O documento aponta como operador de Wagner o empresário Guilherme Henrique Sodré Martins, o Guiga, pai de um enteado do senador, que teria influenciado o processo de privatização.

No leilão, a NGV Empreendimentos arrematou a Ebal por R$ 15 milhões. Segundo Vorcaro, Augusto Lima era o dono de fato da empresa, que estava formalmente em nome do investidor espanhol Ignácio Morales, apontado como "interposta pessoa".

Dezesseis dias depois do leilão, dois decretos assinados pelo então governador Rui Costa ampliaram as possibilidades de exploração do Credcesta e alteraram seu enquadramento no regime de consignações. A NGV transferiu posteriormente os direitos de exploração do cartão à PKL One Participações.

A participação na PKL era estruturada por uma cadeia de fundos de investimento. Segundo a proposta de delação, os beneficiários finais incluíam Augusto Lima, Guiga —representando Jaques Wagner, na versão de Vorcaro— e representantes de outros políticos.

Documentos obtidos pela CPI do Crime Organizado sobre cotistas de fundos de investimentos mostram que Guilherme Sodré detinha 22,45% do Gardênia, fundo que tinha participação indireta na PKL One, até 31 de dezembro de 2018.

De maio de 2019 em diante, segundo os documentos e o relato de Vorcaro, a participação aparece em um fundo da Entre Investimentos, empresa de Antônio Carlos Freixo Júnior, apontado nas investigações como operador financeiro de Vorcaro.

 

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