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Porta-Aviões Nuclear dos EUA chega ao Rio de Janeiro para a maior operação militar na América do Sul em 20 anos

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Galego Noticias
Por: Galego Noticias
23/04/2026 às 02h18 Atualizada em 23/04/2026 às 02h25
Porta-Aviões Nuclear dos EUA chega ao Rio de Janeiro para a maior operação militar na América do Sul em 20 anos
O porta-aviões USS Nimitz, da Marinha Americsna — Foto: Reprodução: Embaixada dos Estados Unidos no Brasil

Um dos maiores e mais antigos porta-aviões em atividade no mundo tem previsão de atracar na Baía de Guanabara entre os dias 7 e 12 de maio. O USS Nimitz (CVN-68), porta-aviões nuclear da Marinha dos Estados Unidos em serviço desde 1972, integra a Operação Southern Seas 2026, descrita pela Marinha americana como a maior operação militar dos EUA em solo sul-americano em quase duas décadas. A informação consta em avisos operacionais da Força Aérea Brasileira emitidos pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo, que alertou pilotos sobre os riscos de aproximação à embarcação — cujo mastro e elevação do casco representam obstáculos ao espaço aéreo do aeroporto Santos Dumont. 

O Nimitz tem 332 metros de comprimento, deslocamento de mais de 100 mil toneladas e capacidade para operar até 90 aeronaves. Participou de operações militares no Golfo Pérsico, incluindo o conflito americano com o Iraque, e é considerado um dos símbolos mais reconhecíveis do poderio naval americano. Após esta missão, o porta-aviões deve ser aposentado em 2027 — o que torna a passagem pelo Rio de Janeiro uma das últimas operações ativas de uma embarcação com mais de cinco décadas de história militar.

A maior operação americana na América do Sul em 20 anos

A Operação Southern Seas 2026 vai além da escala no Brasil. Além do Rio de Janeiro, estão previstas atividades com Argentina, Chile, Colômbia, Peru e México, além de visitas portuárias no Panamá e na Jamaica. A operação inclui treinamentos conjuntos, intercâmbio técnico e demonstrações de operações com porta-aviões entre a Marinha americana e as forças navais dos países participantes.

O contra-almirante americano Carlos Sardiello afirmou em março que a operação busca “ampliar a cooperação regional”. “O deslocamento oferece uma oportunidade única para aumentar a interoperabilidade e aprimorar a capacidade conjunta com forças parceiras”, disse o oficial.

A chegada do Nimitz num momento de crise diplomática

A presença do maior porta-aviões nuclear americano na Baía de Guanabara acontece num contexto diplomático que o governo Lula preferia que fosse diferente. A crise aberta pelo caso Ramagem — com a expulsão do delegado da PF dos EUA, a retaliação brasileira de retirar credenciais do servidor americano em Brasília e os dois anúncios de cooperação desmentidos por Washington — ainda não foi formalmente resolvida. A visita de Lula à Casa Branca segue sem data.

A chegada do USS Nimitz ao Rio de Janeiro em maio, portanto, não é apenas um evento militar. É um sinal de que, independentemente da turbulência diplomática gerada pelo governo Lula nas últimas semanas, os Estados Unidos mantêm sua presença estratégica na América do Sul — e escolhem o Brasil como escala principal da maior operação naval americana na região em duas décadas.

O porta-aviões que participou de guerras no Golfo Pérsico vai ancorar na Baía de Guanabara a poucos quilômetros do Palácio do Planalto carioca, num momento em que o governo brasileiro e Washington trocam acusações sobre manipulação do sistema de imigração americano. A Marinha dos EUA não cancelou a visita. O Nimitz vem.

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