
Um pastor, líder da Igreja Assembleia de Deus Trindade Santa, foi preso nesta segunda-feira (15) pela Polícia Civil da Bahia, acusado de abusar sexualmente de mulheres de sua congregação.
De acordo com a 1ª Delegacia Territorial (DT) de Mata de São João, ele se aproveitava da posição de liderança para induzir e constranger fiéis à prática de atos sexuais sob o pretexto de “rituais espirituais”.
Esquema de manipulação da fé
As vítimas relataram que o pastor convencia mulheres em situação de fragilidade emocional de que precisariam participar de “campanhas de purificação” que incluíam práticas sexuais. Ele usava termos como “íncubos e súcubos”, alegando que apenas seus rituais particulares poderiam libertar os fiéis.
Uma das vítimas contou que, após o fim de um relacionamento, foi convencida de que sua separação havia ocorrido por “fornicação” e que a solução seria participar de sete dias seguidos de uma suposta campanha espiritual. O pastor exigia sigilo absoluto, justificando que os rituais eram baseados em “culturas africanas”.
Reincidência e envolvimento político
As investigações apontam que ele já responde a outro inquérito por estupro. Pelo menos dez mulheres afirmam terem sido vítimas.
O religioso também tem histórico de envolvimento político: em 2020, disputou uma vaga de vereador em Mata de São João, quando obteve 86 votos.
Prisão e tentativa de fuga
O mandado de prisão preventiva foi cumprido na manhã desta segunda-feira por equipes da 1ª DT de Mata de São João, com apoio do núcleo de Inteligência do DEPOM, da 5ª DT de Valença e do Núcleo de Atendimento à Mulher. A operação foi coordenada pelo delegado Aldacir Ferreira dos Santos.
Segundo a polícia, o pastor estava escondido em Morro de São Paulo e já planejava fugir. Ele foi preso e permanece custodiado à disposição da Justiça. A Polícia Civil informou que continua recebendo denúncias e investiga se há outras possíveis vítimas.