Segunda, 06 de Julho de 2026
24°C 25°C
Salvador, BA
Publicidade

Tia conta o que mudou na vida da família que perdeu onze pessoas em naufrágio no Lago de Sobradinho

Família ainda tenta se reconstruir após tragédia que vitimou crianças

Por: Nicolas Leite
15/09/2025 às 06h22 Atualizada em 15/09/2025 às 07h18
Tia conta o que mudou na vida da família que perdeu onze pessoas em naufrágio no Lago de Sobradinho
Divulgação Reprodução

O dia 12 de setembro de 2010 que ficou marcado para sempre na vida da família da dona de casa Neurília Francisca de Souza, de 37 anos, moradora do município de Pilão Arcado, há 780 km de Salvador. Há 15 anos, a dona de casa lamenta e questiona a perda de 11 sobrinhos que morreram no naufrágio no Lago do Sobradinho, no povoado de Alto do Galvão.

Era um domingo de sol e um grupo familiar se reuniu para visitar um membro que morava na localidade. Eles haviam combinado o passeio outras duas vezes, mas sem sucesso. Neste dia, a visita tão planejada aconteceu. O carro quebrou, o motorista errou o caminho, mas depois de muitas dificuldades, eles conseguiram chegar.

O encontro foi marcado por muita descontração, alegria e aconchego na casa da irmã de Neurília, tinha apenas 16 anos na época em que a fatalidade ocorreu. “Nós comemos, bebemos, nos divertimos muito e andamos de barco”, relembrou.

A visita, infelizmente, foi marcada por uma tragédia. Ao final da reunião memorável, ninguém poderia imaginar o que aconteceria, no trajeto de retorno para casa.

“Quando começamos a nos preparar para ir para voltar, dividimos as pessoas e decidimos onde cada um iria. As crianças e alguns adultos foram no barco e outros, inclusive eu, fomos no carro”. O barco estava superlotado, com 18 ocupantes. Da janela do veículo, eles acompanharam a navegação de parte da família durante a travessia no Lago e até que viram o barco naufragar.

“Nós ficamos desesperados. Até hoje tentamos entender o porquê. Foi uma coisa tão rápida, a gente estava tão feliz. A gente chegou a ver o barco afundando, ouvimos os gritos, tentamos entrar na água, mas o nervosismo foi tanto que não conseguimos salvar todo mundo”, lamentou. Ela resgatou uma irmã, que estava acompanhada de outros dois filhos no barco, uma menina de três anos e um menino de dois.

Uma outra irmã, que também conseguiu se salvar, perdeu cinco filhos e uma neta durante o acidente. A tragédia que vitimou onze familiares de Neurília deixou marcas que o tempo não é capaz de curar.

“Independente do tempo que passe, ainda é muita tristeza. Hoje não chegamos nem perto de rio. A gente não consegue nem se imaginar num barco. A nossa vida mudou, mas a gente tenta seguir em frente”, refletiu.

Depois do acidente, a irmã de Neurília também ficou traumatizada e mudou-se, juntamente com o esposo, para a cidade, com a finalidade de não mais ter que atravessar o rio. O cunhado dela era pescador e também deixou de exercer a atividade.

Relembre a tragédia

O local do naufrágio no Lago do Sobradinho tinha cerca de tem 8 metros de profundidade e vitimou Jucicarla Ferreira Lacerda, de 11 anos; Íris Vitória Ferreira Lacerda, de 1 ano e 8 meses; Enzo Carlos Teixeira Lacerda Sobrinho, de 2 anos; Pablo Ferreira Lacerda, de 8 anos; Lindaines Ferreira Lacerda, 16 anos; Marcos Vinicius Souza Mangueira, de 6 anos; Rian Lacerda, também de 6 anos; Cauã Lacerda, de 5 anos; Tarcísio Lacerda, 6 anos; Jackson Lacerda, de 11 anos; e de Matias Lacerda, de 5 anos. Quem conduzia a embarcação foi o pescador Ailton Andrade, de 35 anos.

Os corpos foram encaminhados ao Instituto Médico Legal de Juazeiro e foram velados na Câmara Municipal de Pilão Arcado. Segundo a polícia, a embarcação envolvida no caso não tinha estrutura para comportar 18 pessoas.



 

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários