
No Parque da Cidade Joventino Silva, em Salvador, entre o chão úmido, folhas secas e galhos esquecidos, nasce o gesto silencioso de um artista que escuta o tempo. Taurino Araújo, poeta e jurista reconhecido internacionalmente, atravessa fronteiras da palavra para a imagem, criando composições visuais que resgatam a beleza do que o olhar comum costuma ignorar.

A Série Assemblage, desenvolvida por ele, é feita de encontros mínimos: uma flor caída, uma semente deslocada, um verde que se apaga. Esses elementos, recolhidos ao acaso, transformam-se em linguagem visual, em arranjos efêmeros que revelam poesia naquilo que parece estar prestes a desaparecer. A fotografia, nesse processo, atua como guardiã da memória.

A arte como rito de escuta
Mais do que uma prática estética, o trabalho de Taurino é um rito de escuta ao mundo. Cada folha se converte em palavra não dita, cada galho em traço de infância ou ruína. O chão se torna tela, e a fotografia, testemunha. Suas composições se alinham a tradições da land art e da arte povera, mas carregam a marca singular de um artista que transforma o instante em permanência.
Além de poeta e artista visual, Taurino Araújo é jurista, crítico literário e professor, com uma vasta produção intelectual que transita entre o Direito, a filosofia, a história e a literatura. Autor de livros e reconhecido por sua atuação cultural, ele insere sua obra na tradição da natureza-morta expandida, elaborando uma poética que é, ao mesmo tempo, denúncia e encantamento.

Reconhecimento internacional
Recentemente, Taurino passou a integrar o askART, um dos mais importantes diretórios internacionais de artistas visuais. Sua entrada nesse acervo simboliza não apenas uma conquista pessoal, mas a afirmação da potência cultural produzida no interior da Bahia e projetada para o mundo. Em suas assemblages, a arte não se destina a durar — mas a tocar. Quem observa não vê apenas folhas, mas gesto, memória e rereencantamento. É uma afirmação simbólica da força imagética da política cultural produzida fora do eixo Rio-São Paulo.
Elementos-chave da imagética de arte de Taurino Araújo
• Assemblage orgânica: montagem livre com elementos naturais, sem colagem ou fixação permanente — o que evoca a impermanência da vida.
• Natureza-morta pós-moderna: subversão do gênero tradicional ao usar materiais deteriorados, realçando o “belo no gasto”, o “vivo no que murcha”.

• Estética do intervalo: o espaço entre os elementos não é vazio, Taurino os coloca no campo de tensão e silêncio — tal como na poesia visual.
• Cromatismo simbólico: a paleta sugere estações, estados de alma, territórios afetivos — os vermelhos lembram sangue ou fruto; os verdes, nascimento; os pretos, silêncio ancestral, os terrenos lembram o pragmatismo e as pisadas de Taurino no Sertão.
• Composição intuitiva e ritual: as obras Taurino Araújo se parecem com pequenos rituais de passagem ou oferendas visuais — arte devocional sem dogma.
Assemblage
Taurino Araújo, Ph.D.
A minha arte,
visual,
no chão —
não pintei com tinta:
pintei com as cores
que o mundo
deixou cair.
Remontagem.
Folhas que foram sombra,
galhos que foram abrigo,
sementes sem destino
que aceitaram
virar enfeite de vento —
e eu,
vendo e catando,
tecendo aquarela,
fazendo beleza
com o que sobra.
Não assinei com nome:
juntei pedaços
em silêncio.
O tempo, meu pincel.
A luz, moldura.
Nome francês,
jeito tão baiano,
gesto ancestral:
assemblage.
Criei sobre o chão,
sem pedir licença —
mas com reverência.
Cada folha recolhida
trazia um eco.
Cada galho,
um segredo velho.
Cada flor seca,
um sim sussurrado
ao fim da estação.
Cor resgatada,
natureza-morta,
forma reanimada.
Fotografei
para que não morresse
tão depressa.
Formas remontadas,
respiro da terra.
Um instante de ordem
no caos das folhas.
Um altar improvisado
para o que a pressa
não percebe:
oração silenciosa
com nervuras tortas
e esquecido pólen.
Porque o chão foi tela,
o instante, tinta,
a memória, moldura,
e o gesto —
pura permanência
do que sempre passa.
É gesto e compaixão.
É colagem da alma.
É filosofia do toque
que ainda floresce
mesmo depois do fim.
É dizer com flores secas
o que nenhuma flor fresca
tem coragem.
É escutar o mundo
depois da queda,
e responder com garra,
triunfar com arte.
Uma cidade por dentro
Porque sou
o que ninguém vê inteiro
sou uma cidade por dentro:
muro pichado,
ambulante vendendo esperança.
Carrego calçadas gastas,
pontes quebradas
e um construir de balsas,
com as quais atravessei
o Rio da Prata,
um centro antigo
onde moro menino,
e um bairro novo
tão surpreendente.
Na cidade que sou,
há estação vazia,
e um anúncio de sonho
colado num poste.
Dentro de mim,
cidade e CEP,
há uma praça onde descanso
tudo o que me pesa.
E também há samba.
E barulho de feira.
E um café no ponto
dos batuques.
Minha alma tem periferias,
minha voz tem vielas,
meu silêncio,
um prédio de quinze andares
todos acesos, reluzindo.
Dentro de mim
há viadutos e becos,
a maior avenida do mundo
e um trânsito que não para.

Assemblage orgânica de Taurino Araújo Fazendo arte no Parque da Cidade ano 2017.

Assemblage orgânica de Taurino Araújo Fazendo arte no Parque da Cidade ano 2017.
Assemblage orgânica de Taurino Araújo Fazendo arte no Parque da Cidade ano 2017.

Assemblage orgânica de Taurino Araújo Fazendo arte no Parque da Cidade ano 2017.

Assemblage orgânica de Taurino Araújo Fazendo arte no Parque da Cidade ano 2017.

Assemblage orgânica de Taurino Araújo Fazendo arte no Parque da Cidade ano 2017.

Assemblage orgânica de Taurino Araújo Fazendo arte no Parque da Cidade ano 2017.

Assemblage orgânica de Taurino Araújo Fazendo arte no Parque da Cidade ano 2017.

Assemblage orgânica de Taurino Araújo Fazendo arte no Parque da Cidade ano 2017.

Assemblage orgânica de Taurino Araújo Fazendo arte no Parque da Cidade ano 2017.

Assemblage orgânica de Taurino Araújo Fazendo arte no Parque da Cidade ano 2017.

Assemblage orgânica de Taurino Araújo Fazendo arte no Parque da Cidade ano 2017.

Assemblage orgânica de Taurino Araújo Fazendo arte no Parque da Cidade ano 2017.

Assemblage orgânica de Taurino Araújo Fazendo arte no Parque da Cidade ano 2017.

Assemblage orgânica de Taurino Araújo Fazendo arte no Parque da Cidade ano 2017.

Assemblage orgânica de Taurino Araújo Fazendo arte no Parque da Cidade ano 2017.

Assemblage orgânica de Taurino Araújo Fazendo arte no Parque da Cidade ano 2017.
Taurino
O advogado, escritor, jurista, crítico literário e poeta Taurino Araújo agora também se projeta internacionalmente como um multitalento das artes visuais. Com a série fotográfica Assemblage no Parque da Cidade, ele transforma flores, folhas e galhos secos em composições efêmeras de rara potência poética, registradas em fotografia.
A recente inclusão de seu nome no askART — um dos mais prestigiosos diretórios de artistas visuais do mundo — reforça a força imagética, simbólica e estética de uma arte produzida fora do eixo Rio-São Paulo, profundamente enraizada na sensibilidade baiana.
O que é Assemblage?
Assemblage é uma forma de arte visual tridimensional cujas composições são formadas a partir de itens do cotidiano, geralmente chamados de "objetos encontrados".
A arte de montagem dá aos objetos novos significados, que faz conexões criativas entre elementos díspares e eleva materiais não artísticos ao reino da arte. Na arte moderna, o termo "objeto encontrado" (uma tradução da frase francesa "objet trouvé") é usado para descrever um objeto natural ou descartado, um item diverso de pouco valor encontrado por um artista, que é encontrado por acaso e considerado como tendo valor estético é então apresentado como uma obra de arte. Na arte visual de Taurino Araújo, é utilizada a fotografia, pois os objetivos encontrados são de natureza perecível.