
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) sinalizou recuo nessa terça-feira (22/7) e aguarda, agora, a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes sobre seu futuro. As cartas estão na mesa do relator da ação penal sobre suposta tentativa de golpe de Estado – agora, o magistrado tem todos os materiais para decidir, nesta quarta (23/7), se prenderá ou não aquele que o cenário político, do PL ao PT, considera ser o maior líder atual da direita no Brasil.
Entre governistas e oposicionistas, a avaliação é que Moraes medirá politicamente a situação. Eles consideram que o magistrado já pontuou nos autos que o ex-mandatário descumpriu medidas cautelares ao falar diante da imprensa na segunda-feira (21/7). Resta saber se o recuo sinalizado por Bolsonaro será suficiente para convencer o ministro de que não vale decretar a prisão preventiva antes do julgamento.
Ao responder Moraes, Bolsonaro escolheu fugir do embate e não repetiu a reclamação de ser vítima de “suprema humilhação”, dita por pelo ex-presidente desde sexta (18/7), quando foi alvo de operação da Polícia Federal (PF) e passou a ser monitorado por tornozeleira eletrônica. A defesa do ex-presidente alegou desconhecimento, argumentando que a decisão do ministro, que o impede de usar redes sociais ou ter falas transmitidas por perfis de terceiros, não era clara.
“Em nenhum momento e de nenhuma forma, ao que se entendeu, foi proibido que o embargante [Bolsonaro] concedesse entrevistas, o que aliás não condiz com a Jurisprudência pátria”, argumentaram os advogados de Bolsonaro.
Na tarde dessa terça, Moraes proferiu despacho no qual explicitou que a cautelar de proibição de utilização de redes sociais, diretamente ou por intermédio de terceiros, “inclui, obviamente, as transmissões, retransmissões ou veiculação de áudios, vídeos ou transcrições de entrevistas em qualquer das plataformas de redes sociais de terceiros”. A defesa de Bolsonaro alega que o ex-presidente não havia sido intimado da explicação da decisão.